A contabilidade mark-to-market é ela própria ilegal.
O GAAP dos EUA permite o tratamento a valor justo em contextos definidos. Os casos Enron atacaram avaliações sem suporte e hedges de partes relacionadas, não a existência da norma.
O que restou após 2006: a pena reduzida de Skilling, a condenação anulada de Lay, a durabilidade de Sarbanes-Oxley e mitos sobre mark-to-market e a Andersen.
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A Enron pediu proteção do Capítulo 11 em 2 de dezembro de 2001 no tribunal de falências do Distrito Sul de Nova Iorque, após reexpressões, um inquérito da SEC e o colapso de uma fusão proposta com a Dynegy.
Jeffrey Skilling foi condenado em 2006 no Distrito Sul do Texas. Andrew Fastow declarou-se culpado em 2004. Kenneth Lay foi condenado em 2006 mas morreu antes da sentença; essa condenação foi anulada. Outros empregados e banqueiros enfrentaram casos separados.
Um júri de Houston condenou a Andersen em 2002 por obstrução à justiça relacionada com destruição de documentos. O Supremo reverteu a condenação em 2005, mas a firma já tinha perdido a prática de auditoria de empresas cotadas.
Um relatório de fevereiro de 2002 de um comité especial do conselho da Enron, presidido por William C. Powers Jr., a descrever as parcerias LJM, as estruturas Raptor e as falhas de supervisão do conselho. É uma narrativa pública primária da contabilidade.
O Congresso aprovou a lei Sarbanes-Oxley em 2002 após a Enron e colapsos relacionados, incluindo a WorldCom. A lei criou o PCAOB, alargou regras de independência do auditor e exigiu certificação executiva das filagens.
A Enron lançava valores justos estimados de certos contratos de longo prazo como resultados correntes. Os tribunais e o comité Powers trataram o abuso como residindo em avaliações sem suporte e hedges de partes relacionadas, não na mera existência da contabilidade a valor justo.
O julgamento de Houston encerrou a história penal principal. Os recursos, a reversão da Andersen e vinte anos de prática SOX são o aftermath.
Persistem mitos sobre o que é mark-to-market e sobre se a Andersen foi achada inocente de um modo que restaure a firma.
A contabilidade mark-to-market é ela própria ilegal.
O GAAP dos EUA permite o tratamento a valor justo em contextos definidos. Os casos Enron atacaram avaliações sem suporte e hedges de partes relacionadas, não a existência da norma.
A Arthur Andersen foi exonerada e sobreviveu.
O Supremo reverteu a condenação em 2005, mas a firma já tinha colapsado como auditor de empresas cotadas em 2002.
A condenação de Kenneth Lay ainda se mantém.
Lay morreu antes da sentença. Sob a doutrina do abatimento o tribunal de distrito anulou a condenação.
A Enron foi só uma história da crise energética da Califórnia.
O trading na Califórnia faz parte da história; o núcleo penal em Houston foi contabilidade corporativa, SPEs e declarações falsas a investidores e bancos.
As mesas económicas em português aprenderam a ler notas de partes relacionadas após a Enron. Esse hábito ainda aparece na cobertura posterior de SPEs e de resultados não-GAAP.
O pipeline revista-livro-filme fez da Enron uma propriedade narrativa nos média do Brasil e de Portugal, por vezes à custa do mapa mais seco do Relatório Powers.
Os redactores do Jornal de Negócios e do Expresso ainda usam a Enron ao comparar regras de certificação dos EUA com o Combined Code britânico e papéis posteriores de reforma de auditoria — um par didático transatlântico.
O aftermath é um estatuto que ainda vincula emitentes, um mercado de auditoria com uma firma a menos, e um nome que significa que os resultados eram a história.
Enciclopédia de registro público. Não é aconselhamento jurídico. Não é um como-fazer. Sem detalhe gráfico. Guerras ficam em outro atlas.