O navio foi certificado inafundável.
Não existia tal certificado. A publicidade e a imprensa usaram a palavra; o inquérito tratou a subdivisão como uma pretensão de desenho que falhou numa inundação de rasto de lado.
O que permanece aberto sobre a ética do salvamento, e quais mitos do Titanic o registro de 1912 já fechou.
A causa da perda está fechada. A ética do naufrágio e a lista exata de mortos não.
O folclore em português ainda prefere um navio amaldiçoado a uma tabela do Board of Trade.
O navio foi certificado inafundável.
Não existia tal certificado. A publicidade e a imprensa usaram a palavra; o inquérito tratou a subdivisão como uma pretensão de desenho que falhou numa inundação de rasto de lado.
Um fogo num paiol de carvão afundou o navio.
Um fogo de paiol foi discutido então e depois. Não é a causa oficial de 1912. Os tribunais nomearam gelo e velocidade.
A terceira classe foi trancada abaixo como política.
Barreiras físicas e confusão atrasaram muitos passageiros do steerage. Os inquéritos não acharam uma ordem permanente para os prender.
O naufrágio é um só navio intacto no fundo.
O achado de 1985 mostrou dois pedaços principais e um campo largo de destroços, coincidindo com uma quebra quando o casco afundou.
A memória em português herda a geografia local britânica — ruas de tripulação em Southampton e identidade de estaleiro em Belfast — através de guias e de aniversários.
A memória americana, glosada na Folha e no Público, começa no cais da Cunard em 18 de abril de 1912 e na sala de audiências do senador Smith, não em Belfast.
Navios-cabo canadianos trouxeram muitos dos mortos recuperados a Halifax. Os cemitérios em língua inglesa ali são parte do dossiê do Atlântico Norte, não uma nota de rodapé — e os guias em português já os mencionam.
O Titanic é um desastre de navegação fechado cujo afterlife é lei, listas e um naufrágio que câmaras posteriores tornaram visível.
Enciclopédia de registro público. Não é aconselhamento jurídico nem tutorial. Guerras ficam noutro atlas.