Dois repórteres sozinhos derrubaram um presidente.
Woodward e Bernstein importaram. Também importaram Sirica, Dean, o Senado, Cox, Jaworski e o Supremo.
O que permanece aberto após o indulto de Ford, quais mitos de Watergate as fitas já fecharam, e como o português ainda usa o nome.
O encobrimento está fechado como facto. A justiça do indulto não está fechada como argumento.
O português ainda prefere dois repórteres numa garagem a um sumário do Supremo.
Dois repórteres sozinhos derrubaram um presidente.
Woodward e Bernstein importaram. Também importaram Sirica, Dean, o Senado, Cox, Jaworski e o Supremo.
Foi só um arrombamento de terceira categoria.
Essa foi a linha da Casa Branca em 1972. As fitas mostram um encobrimento de trabalho de inteligência política ligado ao CRP.
Nixon foi condenado em tribunal penal.
Renunciou e foi indultado. Subordinados foram condenados. Misto é o estado correto.
Garganta Profunda era um composto ou uma ficção.
Em 2005 a fonte foi identificada como W. Mark Felt. O mito da garagem era real o bastante; nunca foi o caso inteiro.
O cabo em português ainda trata Watergate como geografia local americana: um complexo, um tribunal e um jornal. Os turistas fotografam o letreiro.
Cursos de jornalismo no Brasil e em Portugal atribuem All the President's Men como escritura. As fontes primárias são as audiências e o acórdão.
Da Folha ao Público, os jornais em português ligam o sufixo a escândalos locais. A exportação é a palavra, não a vaga de estatutos de 1974.
Watergate permanece um dossiê cívico misto: um encobrimento documentado, uma renúncia, um indulto e leis que ainda estruturam o modo como os falantes de português nomeiam um escândalo.
Enciclopédia de registro público. Não é aconselhamento jurídico nem tutorial. Guerras ficam noutro atlas.