Durante quase quatro milénios, as cortes do Egipto a Versalhes mantiveram um oficial cujo dever era servir o vinho do governante e prová-lo primeiro contra o veneno. Na França, o Grand Échanson estava entre os grandes oficiais da coroa, cargo ocupado pela alta nobreza. O escritório morreu com os próprios tribunais – a Revolução Francesa o aboliu em 1789 – deixando apenas o seu fantasma no ritual moderno da degustação do sommelier diante do convidado.
Copeiro real (échanson) já não existe como ofício vivo. Eis o que o apagou, e que profissão assumiu o trabalho.
O que mais se passava então
Resíduos químicos na cerâmica neolítica de Gadachrili Gora e Shulaveris Gora, na Geórgia, publicados na PNAS em 2017, são a primeira evidência sólida da vinificação da uva – cerca de oito mil anos antes de alguém ser pago para servi-la. A tradição qvevri da Geórgia de enterrar potes de fermentação continua até hoje.
Na festa grega, o vinho nunca era servido puro: era misturado com água numa krater, e um simposiarca eleito fixava a diluição e o ritmo para toda a companhia. Escolher o vinho, avaliar a sua força e controlar a sala – a descrição do trabalho do sommelier, vinte e cinco séculos antes.
Nas famílias reais e nobres francesas, o sommelier – desde sommier, o animal de carga, passando pelo oficial que dirigia o trem de bagagem – era responsável pelo transporte e salvaguarda das provisões. Ao longo dos séculos seguintes, o título restringiu-se ao criado responsável pela adega do senhor, pela roupa de mesa e pelo vinho.
Onde esse trabalho vive agora
De copeiros que provaram o vinho de um rei a profissionais de degustação às cegas: como o sommelier transformou o servir em um dos ofícios mais exigentes da hospitalidade.
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