Durante três séculos, pintores como Nicholas Hilliard, da corte Tudor, fizeram pequenos retratos em aquarela sobre pergaminho ou marfim – carregados em medalhões, trocados em namoros, enviados em negociações de casamento. O daguerreótipo de 1839 fez o mesmo trabalho de forma mais rápida, mais barata e com autoridade de máquina; em duas décadas, o comércio entrou em colapso e muitos miniaturistas sobreviveram tornando-se fotógrafos ou pintando à mão as fotografias de outras pessoas.
Miniaturista de retratos já não existe como ofício vivo. Eis o que o apagou, e que profissão assumiu o trabalho.
Tinta a óleo, academias e os antigos mestres
Os esmaltes a óleo aperfeiçoados de Van Eyck deram à Europa um meio de profundidade sem precedentes, e a Renascença deu aos pintores uma nova autoimagem: Ticiano foi enobrecido pelo imperador Carlos V em 1533, e a lenda de que o imperador se abaixou para pegar o pincel caído do pintor tornou-se a parábola de status favorita do comércio. As academias de Florença, Paris e Londres gradualmente expulsaram a pintura das corporações, enquanto o sistema Salon transformava a exposição numa porta de carreira - e deixava uma geração de pintores rejeitados prontos para a revolta.
O que mais se passava então
A pedido de Giorgio Vasari, Cosimo I de' Medici funda a Accademia delle Arti del Disegno em Florença, com o idoso Michelangelo homenageado como seu chefe simbólico. Pela primeira vez, os pintores têm uma instituição que os classifica como académicos e não como corporações de artesãos – o movimento de abertura de uma campanha de estatuto que levaria séculos a conquistar em toda a Europa.
A Académie royale de peinture et de escultura é fundada em Paris, com Charles Le Brun entre os seus líderes, e desde 1667 dirige o Salon – a exposição estatal que decidia quais pintores existiam aos olhos do público. Durante dois séculos, a hierarquia de gêneros da academia, com a pintura histórica no topo, definiu o que significava ambição na pintura.
O pintor de retratos americano John Goffe Rand patenteia o tubo de metal dobrável para tinta, substituindo bexigas de porco e seringas de vidro. A tinta pronta que viajava tornava prática a pintura ao ar livre, e os impressionistas sabiam o que deviam a isso: Renoir disse ao filho que sem cores em tubos não teria havido Cézanne, nem Monet, nem Pissarro - nada que os jornalistas chamariam de impressionismo.
Fechados ou fartos do Salão, trinta artistas, incluindo Monet, Renoir, Degas e Berthe Morisot, montam a sua própria exposição no antigo estúdio parisiense do fotógrafo Nadar. O crítico Louis Leroy zomba de "Impressão, Nascer do Sol" de Monet no Le Charivari sob o título "Exposição dos Impressionistas" - e o insulto se torna o nome do movimento que quebrou o monopólio da academia.
Onde esse trabalho vive agora
O mais antigo ofício de criação de imagens já registrado – desde paredes de cavernas de 45 mil anos até o estúdio contemporâneo, ainda praticava uma pincelada de cada vez.
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