Durante mil anos, o colega mais próximo do bibliotecário foi o copista: monges e, mais tarde, profissionais leigos que reproduziam livros à mão sob a direção do armarius, o oficial monástico que guardava a coleção e encarregava a cópia. A imprensa de Gutenberg, da década de 1450, conseguia produzir numa semana o que um scriptorium produzia em anos; em duas gerações, as salas de cópia estavam vazias, embora os manuscritos sobreviventes ainda ancorassem as grandes coleções de pesquisa do mundo.
Escriba do scriptorium monástico já não existe como ofício vivo. Eis o que o apagou, e que profissão assumiu o trabalho.
A era do manuscrito: mosteiro e mesquita
Na Europa Latina, o armarius de um mosteiro guardava os livros, administrava o scriptorium e racionava o acesso a volumes tão valiosos que eram acorrentados a escrivaninhas. O mundo islâmico funcionou numa escala diferente: a Casa da Sabedoria de Bagdad atraiu tradutores e académicos sob os califas abássidas, al-Hakam II de Córdova manteve uma biblioteca que os cronistas afirmaram atingir 400.000 volumes, e al-Qarawiyyin em Fez manteve os seus manuscritos em funcionamento desde 859 até aos dias de hoje.
O que mais se passava então
O rei assírio constrói a primeira biblioteca que podemos chamar de organizada sistematicamente: cerca de 30.000 tabuinhas e fragmentos organizados por assunto, adquiridos por agentes reais em toda a Babilônia, com colofões de propriedade ameaçando ladrões de tabuinhas com a ira dos deuses. Enterrado quando Nínive caiu em 612 AEC, preservou a Epopéia de Gilgamesh para os leitores modernos.
Em Fez, Marrocos, Fatima al-Fihri, filha de um rico comerciante, doa a mesquita Qarawiyyin e o seu centro de aprendizagem. Sua biblioteca, que contém manuscritos, incluindo um Alcorão do século IX, é frequentemente citada como a biblioteca mais antiga do mundo em funcionamento contínuo; A arquiteta marroquina-canadense Aziza Chaouni liderou a restauração, concluída em 2016.
Onde esse trabalho vive agora
O guardião e guia do conhecimento registrado, desde as tábuas de argila de Nínive até a luta pelos empréstimos eletrônicos – organizando o que a humanidade sabe para que qualquer um possa encontrá-lo.
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