Após a leucotomia original de Egas Moniz, o neurologista americano Walter Freeman desenvolveu e percorreu o país realizando uma versão rudimentar “transorbital” – enfiando um instrumento semelhante a um picador de gelo através da cavidade ocular em minutos, muitas vezes em regime de ambulatório, sem a presença de um cirurgião. Os medicamentos antipsicóticos, os processos judiciais e as crescentes provas de danos permanentes acabaram com a prática quase inteiramente na década de 1970.
O lobotomista já não existe como ofício vivo. Eis o que o apagou, e que profissão assumiu o trabalho.
Tratamento moral e o nascimento do movimento de reforma do asilo
A libertação de pacientes por Pinel no Bicêtre e uma reforma paralela liderada pelo comerciante de chá Quaker William Tuke no York Retreat, na Inglaterra, em 1796, argumentaram que o trabalho rotineiro, útil e um ambiente humano curavam mais eficazmente do que a contenção. A ideia espalhou-se internacionalmente – só a reformadora Dorothea Dix convenceu as legislaturas estaduais americanas a financiar mais de trinta novos asilos entre as décadas de 1840 e 1880 – mas muitas das instituições resultantes ficaram superlotadas e novamente sob custódia no espaço de uma geração.
O que mais se passava então
A sexta edição do livro de Emil Kraepelin, baseada em anos de acompanhamento dos resultados dos pacientes em Heidelberg, distingue a demência precoce – que piorou ao longo do tempo – da insanidade maníaco-depressiva, que surgiu em episódios recuperáveis; a divisão permanece reconhecível no diagnóstico hoje como esquizofrenia e transtorno bipolar.
O livro de Sigmund Freud, datado de 1900 na página de título, embora lançado em Viena no final de 1899, argumenta que os sonhos revelam desejos inconscientes e estabelece as bases teóricas para a psicanálise, que dominaria grande parte da teoria psiquiátrica na Europa e na América do Norte durante o próximo meio século.
O neurologista António Egas Moniz concebe, e o cirurgião Almeida Lima realiza, a primeira leucotomia pré-frontal – cortando ligações no lobo frontal para tratar doenças mentais graves. O procedimento, mais tarde popularizado numa forma ambulatorial mais grosseira como a lobotomia, valeu a Moniz um Prémio Nobel em 1949 e, décadas mais tarde, uma condenação generalizada.
Os psiquiatras Jean Delay e Pierre Deniker testaram a clorpromazina, um composto desenvolvido para anestesia cirúrgica, em pacientes psiquiátricos no Hospital Sainte-Anne, em Paris, e descobriram que acalma de forma fiável os sintomas psicóticos, sem simplesmente sedar os pacientes até à inconsciência – a descoberta que lança a psicofarmacologia moderna e, dentro de duas décadas, esvazia grande parte das enfermarias de asilo da Europa e da América do Norte.
Onde esse trabalho vive agora
Diagnostica e trata doenças mentais por meio de medicamentos e terapia, uma das únicas especialidades da medicina com autoridade legal para deter um paciente em crise.
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