Distritos inteiros – Bromsgrove e Black Country, em Inglaterra, aldeias semelhantes em toda a Europa – viviam forjando pregos à mão em lareiras de quintal, famílias inteiras cortando e enfiando barras de ferro em troca de salários por peça, que eram sinónimo de pobreza. Pregos cortados à máquina, e depois pregos de arame baratos no final do século XIX, apagaram o comércio quase completamente em 1900; as casas dos pregadores, com forjarias atrás da cozinha, ainda existem em torno de Bromsgrove.
Pregador manual já não existe como ofício vivo. Eis o que o apagou, e que profissão assumiu o trabalho.
A forja no centro da economia
As economias pré-industriais funcionavam com ferro forjado e o ferreiro era a sua interface comercial: navios, moinhos, carruagens, quintas e exércitos terminavam todos na bigorna de alguém. O comércio especializado e estratificado — ferreiros de âncoras, fabricantes de correntes, pregadores, ferradores, ferreiros — e mestres ferreiros de ferro ornamental, como Jean Tijou na Catedral de São Paulo, trabalhavam no nível de artistas da corte. Nas colônias americanas, o ferreiro era frequentemente o primeiro comerciante recrutado por um novo assentamento; no País Negro da Inglaterra, distritos inteiros forjavam apenas pregos ou correntes, uma indústria manual que empregava dezenas de milhares de pessoas.
O que mais se passava então
O conversor de Henry Bessemer, anunciado em 1856, sopra ar através do ferro fundido para produzir aço barato por tonelada. Combinado com laminadores e forjarias, ele move a metalurgia de forma decisiva da bigorna para a fábrica: em décadas, pregos, correntes, ferramentas e ferragens – o pão com manteiga do ferreiro – são feitos à máquina.
O censo dos EUA contabilizou bem mais de 200 mil ferreiros em 1910, a maioria deles ferrando cavalos e consertando carroças. O automóvel retirou o cavalo da vida profissional no espaço de uma geração e, em meados do século, a ferraria rural americana estava efectivamente extinta – um colapso que se repetiu em todo o mundo industrial.
Onde esse trabalho vive agora
O comércio que fabricava as ferramentas de todos os outros negócios — desde o ferro hitita e as forjas de corporações até os artistas-ferreiros que trouxeram a bigorna no século XXI.
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