Cradley Heath, no País Negro da Inglaterra, forjou à mão grande parte das correntes do mundo, desde cabos de âncora de navios feitos por gangues de homens até pequenas correntes marteladas por milhares de mulheres em lojas de quintal. Em 1910, cerca de 800 dessas mulheres, organizadas por Mary Macarthur, venceram uma greve de dez semanas que praticamente duplicou o seu salário ao abrigo da primeira lei britânica de salário mínimo. A corrente soldada à máquina aceitou o negócio de qualquer maneira; as últimas lojas de mão fecharam nas décadas após a Segunda Guerra Mundial.
Corrente manual já não existe como ofício vivo. Eis o que o apagou, e que profissão assumiu o trabalho.
A forja no centro da economia
As economias pré-industriais funcionavam com ferro forjado e o ferreiro era a sua interface comercial: navios, moinhos, carruagens, quintas e exércitos terminavam todos na bigorna de alguém. O comércio especializado e estratificado — ferreiros de âncoras, fabricantes de correntes, pregadores, ferradores, ferreiros — e mestres ferreiros de ferro ornamental, como Jean Tijou na Catedral de São Paulo, trabalhavam no nível de artistas da corte. Nas colônias americanas, o ferreiro era frequentemente o primeiro comerciante recrutado por um novo assentamento; no País Negro da Inglaterra, distritos inteiros forjavam apenas pregos ou correntes, uma indústria manual que empregava dezenas de milhares de pessoas.
O que mais se passava então
O conversor de Henry Bessemer, anunciado em 1856, sopra ar através do ferro fundido para produzir aço barato por tonelada. Combinado com laminadores e forjarias, ele move a metalurgia de forma decisiva da bigorna para a fábrica: em décadas, pregos, correntes, ferramentas e ferragens – o pão com manteiga do ferreiro – são feitos à máquina.
O censo dos EUA contabilizou bem mais de 200 mil ferreiros em 1910, a maioria deles ferrando cavalos e consertando carroças. O automóvel retirou o cavalo da vida profissional no espaço de uma geração e, em meados do século, a ferraria rural americana estava efectivamente extinta – um colapso que se repetiu em todo o mundo industrial.
A Associação de Ferreiros-Artistas da América do Norte (ABANA) é fundada em um encontro em Lumpkin, Geórgia, em 1973, seguida pela Associação Britânica de Ferreiros de Artistas em 1978. Um comércio que a indústria havia descartado se reorganiza em torno do design, da escultura e da restauração do patrimônio - a profissão moderna.
Onde esse trabalho vive agora
O comércio que fabricava as ferramentas de todos os outros negócios — desde o ferro hitita e as forjas de corporações até os artistas-ferreiros que trouxeram a bigorna no século XXI.
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