🎾Tênis

O duelo mais solitário do esporte: sem cronômetro, sem companheiros de equipe, sem esconderijo até o último ponto ser conquistado.

Fatos rápidos

87 milhões (Relatório Global de Tênis da ITF, 2021)Jogadores no mundo
Cerca de 1 bilhão em todo o mundoFãs estimados
Federação Internacional de Tênis, fundada em 1913 em Paris como ILTFÓrgão regulador
Wimbledon, disputado pela primeira vez em 1877 com 22 inscritosMajor mais antigo
24 títulos (Novak Djokovic e Margaret Court)Recorde de Grand Slams (simples)
US Open 2025 — 90 milhões de dólares em premiação totalEvento mais lucrativo

O tênis é um duelo sem cronômetro. Dois jogadores (ou duas duplas) trocam uma bola de feltro em uma quadra de 24 metros, e o sistema de pontuação — pontos que viram games, games que viram sets — faz com que nenhuma vantagem seja definitiva e nenhuma desvantagem seja fatal. Uma partida pode virar em uma única quebra de saque na quinta hora, e é por isso que o esporte produz finais como a de Wimbledon 2019, em que Novak Djokovic salvou dois match points na raquete de Roger Federer e venceu por 13-12 no tie-break decisivo. Quatro torneios de Grand Slam — Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open — sustentam uma temporada global de onze meses disputada em três superfícies radicalmente diferentes.

O fascínio do esporte pelo mundo vem de sua transparência brutal. Não há substituições, não há tempos técnicos de treinador que possam salvar um jogador em colapso e, até recentemente, nem sequer havia orientação de treinador durante o jogo; o caráter é exposto ponto a ponto. Essa intimidade construiu rivalidades que transcenderam o esporte — Borg e McEnroe em 1980, Evert e Navratilova em 80 confrontos, Federer, Nadal e Djokovic ao longo de duas décadas — e momentos que mudaram a cultura, como Billie Jean King vencendo Bobby Riggs diante de uma audiência estimada em 90 milhões de telespectadores em 1973. Com 87 milhões de jogadores no mundo e majors em quatro continentes, o tênis é possivelmente o esporte individual mais globalmente distribuído do planeta.

Fisicamente, o tênis exige uma combinação que quase nenhum outro esporte demanda: aceleração de velocista em 3 a 5 metros, repetida centenas de vezes; velocidades de ombro que levam saques a mais de 230 km/h; e o controle motor fino para redirecionar uma bola girando a 3.000 rotações por minuto para um alvo do tamanho de uma toalha. Taticamente, é geometria aplicada — cada golpe abre alguns ângulos e fecha outros, e os melhores jogadores pensam em padrões, não em tacadas isoladas. A mesma partida disputada no saibro parisiense, na grama londrina e no piso duro de Nova York produziria três vencedores diferentes, razão pela qual a versatilidade entre superfícies continua sendo a credencial máxima do esporte.

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História: de um jogo de jardim a um bilhão de fãs

O lawn tennis foi patenteado em 1874 como uma diversão de gramado de croqué; em três anos Wimbledon já existia. Acompanhe todo o percurso — a cisão entre amadores e profissionais que baniu Rod Laver por cinco anos, a revolução da Era Aberta em 1968, a fundação da WTA em 1973 e o reinado de vinte anos do Big Three.

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Tática: saque + 1, geometria e a revolução do poliéster

Cerca de 70% dos pontos profissionais terminam em até quatro golpes, e é por isso que o tênis moderno é construído sobre padrões de saque-mais-um em vez de trocas longas. Veja como a física da superfície, o posicionamento de devolução e a bissetriz de recuperação de fato decidem os pontos — com diagramas de quadra dos padrões que Alcaraz, Sinner e Sabalenka usam em toda partida.

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GOAT: resolvendo com números a discussão mais acirrada do tênis

Os 24 majors e 428 semanas no No.1 de Djokovic, os 23 Slams de Serena Williams ao longo de quatro décadas, o intocável Golden Slam de Graf em 1988, os dois Grand Slams de calendário de Laver em torno de um banimento de cinco anos. Dez jogadores, números concretos, ajustes honestos de época — e um veredito defensável no topo.

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Tendências: dinheiro do Golfo, juízes de linha robóticos e um novo duopólio

Wimbledon encerrou 147 anos de juízes de linha humanos em 2025; o fundo PIF da Arábia Saudita agora patrocina o ranking da ATP; jogadores processam os circuitos por um calendário de onze meses. Enquanto isso, Sinner e Alcaraz dividiram entre si os oito majors de 2024-25. O esporte está mudando mais rápido do que em qualquer momento desde 1968.

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Perguntas frequentes

Por que o tênis é pontuado 15, 30, 40 — e por que zero se chama love?
A pontuação vem do jeu de paume medieval francês, e a teoria dominante liga 15-30-45 aos quartos de um mostrador de relógio, com 45 depois encurtado para 40 para agilizar o anúncio. 'Deuce' vem do francês 'à deux' — dois pontos necessários para vencer. 'Love' para zero provavelmente deriva de 'l'oeuf', a palavra francesa para ovo, descrevendo o formato de um zero (a mesma lógica do 'duck' do críquete), embora alguns etimologistas prefiram 'jogar por amor', significando por nada. A estrutura em si é genialidade tática: como os pontos se acumulam em games e os games em sets, nem todos os pontos têm o mesmo peso — break points e set points concentram pressão — e nenhuma vantagem jamais é matematicamente segura, razão pela qual o tênis produz tantas viradas famosas.
O que exatamente é um Grand Slam no tênis?
Estritamente, o Grand Slam significa vencer os quatro campeonatos majors — Australian Open, Roland Garros (Aberto da França), Wimbledon e US Open — em um mesmo ano-calendário. Apenas cinco jogadores de simples já conseguiram isso: Don Budge (1938), Maureen Connolly (1953), Rod Laver (1962 e 1969, o único a repetir), Margaret Court (1970) e Steffi Graf (1988, que acrescentou o ouro olímpico no único 'Golden Slam'). Coloquialmente, cada um dos quatro torneios hoje é chamado de 'um Grand Slam' ou 'um major', e vencer os quatro ao longo da carreira — como fizeram Agassi, Serena Williams, Nadal e Djokovic — é um 'Grand Slam de carreira'. Deter os quatro simultaneamente ao longo de duas temporadas, como Djokovic fez em 2015-16 e Serena fez duas vezes, é um Slam fora do calendário.
Quem venceu mais títulos de Grand Slam em simples?
Novak Djokovic e Margaret Court dividem o recorde histórico com 24 títulos de Grand Slam em simples cada. Djokovic chegou a 24 no US Open de 2023, e todos os seus vieram em quadros da Era Aberta; Court venceu 13 dos seus antes do início da Era Aberta em 1968, incluindo 11 títulos australianos em anos em que muitas das principais internacionais pulavam a viagem — razão pela qual muitos analistas tratam os 23 de Serena Williams, todos conquistados na era profissional entre 1999 e 2017, como a referência feminina. Entre outros homens, Rafael Nadal terminou com 22 e Roger Federer com 20. Líderes ativos ao final da temporada de 2025: Carlos Alcaraz com 6 majors e Jannik Sinner com 4, com Iga Swiatek em 6 no jogo feminino.
Como saibro, grama e quadra dura mudam o jogo?
A superfície muda a física do quique e, portanto, a tática. O saibro (Roland Garros) é lento e de quique alto: as trocas se alongam, o topspin pesado é recompensado, os jogadores deslizam nos golpes, e os grandes sacadores perdem boa parte da sua vantagem — razão pela qual existem especialistas em saibro. A grama (Wimbledon) é o oposto: a bola desliza baixo e rápido, o cortado fica abaixo do joelho, os saques dominam, e os pontos são curtos. As quadras duras (Australian e US Open) ficam entre os extremos, com o quique mais verdadeiro, favorecendo os jogadores mais completos. As diferenças já foram tão extremas que, entre Borg em 1980 e Nadal em 2008, nenhum homem venceu Roland Garros e Wimbledon em sequência; a homogeneização moderna das superfícies estreitou essa distância, mas vencer esse 'Channel Slam' — como Alcaraz já fez — continua sendo o melhor teste de adaptabilidade do esporte.
Qual foi a partida de tênis mais longa já disputada?
John Isner contra Nicolas Mahut, primeira rodada de Wimbledon 2010: 11 horas e 5 minutos distribuídas em três dias, com Isner vencendo por 6-4, 3-6, 6-7, 7-6, 70-68 — um quinto set de 138 games que sozinho durou mais de oito horas. Os dois combinaram 216 aces, e o placar eletrônico da Quadra 18, nunca programado para tais números, chegou a travar. A partida é diretamente responsável por uma mudança de regra: após mais decisões maratona, os quatro Grand Slams concordaram em 2022 com um formato uniforme de set decisivo — um tie-break de 10 pontos em 6-6 — tornando uma repetição matematicamente impossível. A final de major mais longa continua sendo o Australian Open de 2012, em que Djokovic venceu Nadal por 5-7, 6-4, 6-2, 6-7, 7-5 em 5 horas e 53 minutos.
Quem é o maior tenista de todos os tempos?
Pelo retrospecto acumulado, Novak Djokovic: 24 títulos de Grand Slam (empatado como o maior número da história), um recorde de 428 semanas no No.1, um recorde de 40 títulos de Masters 1000, oito fechamentos como No.1 do ano, um ouro olímpico que completou o Golden Slam de carreira e — de forma única — confrontos diretos vencedores contra seus dois maiores rivais históricos, Federer (27-23) e Nadal (31-29). As complicações honestas: os 23 majors de Serena Williams contra quatro gerações diferentes de rivais fazem dela o mais forte contraponto entre gêneros; Rod Laver perdeu cinco anos de auge para o banimento profissional e mesmo assim venceu dois Grand Slams de calendário, algo que nenhum outro jogador conseguiu sequer uma vez; e o Golden Slam de Steffi Graf em 1988 continua sendo a melhor temporada individual já disputada. A maioria dos analistas hoje separa as questões: Djokovic tem o maior currículo, enquanto 'maior jogador' continua sendo um argumento de valores.
Como funcionam os tie-breaks nos Grand Slams hoje?
Em todo set antes do último, os quatro majors usam o tie-break padrão de 12 pontos em 6-6: primeiro a chegar a 7 pontos, com vantagem de 2, os jogadores alternando o saque após o primeiro ponto e trocando de lado a cada 6 pontos. No set decisivo (o quinto para os homens, o terceiro para as mulheres), os quatro Slams usam um tie-break de 10 pontos em 6-6 — primeiro a chegar a 10, com vantagem de 2 — desde 2022, quando padronizaram após anos de divergência: Wimbledon usava um tie-break em 12-12 desde 2019, o US Open um tie-break padrão em 6-6 desde 1970, o Australian Open um de 10 pontos, e Roland Garros nenhum. A mudança foi motivada por partidas maratona como o set de 70-68 de Isner-Mahut em 2010 e a final de Wimbledon de 2019, que Djokovic venceu por 13-12 no set decisivo.

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