Tênis em 87
Rafael Nadal encerra o reinado de cinco anos de Roger Federer em Wimbledon por 6-4, 6-4, 6-7, 6-7, 9-7 em 4 horas e 48 minutos, terminando quase no escuro, às 21h16 — amplamente considerada a maior partida já disputada. Em 87, Tênis fica com «Ordem de saque e troca de lado» e 87. Sem ranking nem reserva. Um Federer de 35 anos volta de seis meses afastado por lesão e bate Nadal numa final de cinco sets no Australian Open, enquanto Serena Williams conquista seu 23º major — o recorde da Era Aberta — estando grávida de cerca de oito semanas.
O tênis é um duelo sem cronômetro. Dois jogadores (ou duas duplas) trocam uma bola revestida de feltro em uma quadra de 78 pés, e o sistema de pontuação — pontos que viram games, games que viram sets — faz com que nenhuma vantagem seja definitiva e nenhum déficit seja fatal. Uma partida pode virar em uma única quebra de saque na quinta hora de jogo, e é por isso que o esporte produz finais como a de Wimbledon 2019, em que Novak Djokovic salvou dois match points na raquete de Roger Federer e venceu por 13-12 num tiebreak decisivo. Quatro torneios de Grand Slam — Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open — sustentam uma temporada global de onze meses disputada em três superfícies radicalmente diferentes.
O apelo mundial do esporte vem da sua transparência brutal. Não há substituições, não há pedido de tempo técnico que salve um jogador em queda livre, e até pouco tempo atrás não havia sequer instrução (coaching) durante o jogo; o caráter fica exposto ponto a ponto. Essa intimidade construiu rivalidades que transcenderam o esporte — Borg e McEnroe em 1980, Evert e Navratilova em 80 confrontos, Federer, Nadal e Djokovic ao longo de duas décadas — e momentos que mudaram a cultura, como Billie Jean King vencendo Bobby Riggs diante de uma audiência estimada em 90 milhões de telespectadores em 1973. Com 87 milhões de jogadores no mundo e Grand Slams em quatro continentes, o tênis é possivelmente o esporte individual mais globalmente distribuído do planeta.
Do ponto de vista atlético, o tênis exige uma combinação que quase nenhum outro esporte pede: aceleração de velocista em 3 a 5 metros, repetida centenas de vezes; velocidade de ombro capaz de gerar saques acima de 230 km/h; e o controle motor fino para redirecionar uma bola girando a 3.000 rotações por minuto para um alvo do tamanho de uma toalha. Taticamente é geometria aplicada — cada golpe abre alguns ângulos e fecha outros, e os melhores jogadores pensam em padrões, não em tacadas isoladas. A mesma final disputada no saibro parisiense, na grama londrina e no piso duro de Nova York produziria três vencedores diferentes, e é por isso que a versatilidade entre superfícies continua sendo a credencial máxima do esporte.
O vídeo está no telefone. A regra está nas duas primeiras linhas. Em 87, Tênis fica com «Ordem de saque e troca de lado» e 87. Sem ranking nem reserva. 8787
Números que ficam
- Ano de referência
- 87
- Número do jogo
- 87
- Desporto
- Tênis
- Linha da regra
- Ordem de saque e troca de lado