Rugby em 22
A primeira Copa do Mundo de Rugby, coorganizada por Nova Zelândia e Austrália em 1987, deu ao esporte uma vitrine unificadora e um motor de crescimento comercial; os All Blacks de David Kirk venceram a França na final inaugural. A Austrália venceu um torneio tenso em 1991, na Grã-Bretanha, mas foi 1995 que mudou o jogo para sempre. A África do Sul, readmitida após o apartheid, sediou e venceu uma Copa do Mundo que se tornou uma epopeia de construção nacional, com Nelson Mandela entregando o troféu a Francois Pienaar, enquanto um jovem Jonah Lomu — quatro tries contra a Inglaterra na semifinal — apresentava a primeira superestrela global do rugby e seu potencial comercial. Em poucas semanas, o dinheiro que o ideal amador fingia não ver veio à tona: em 26 de agosto de 1995, o IRB declarou o rugby 'aberto', legalizando o pagamento da noite para o dia. A era profissional chegou em meio à correria, com magnatas da mídia financiando novas competições, federações do hemisfério sul lançando o Super 12 e o Tri Nations, e a Europa criando copas de clubes. Os jogadores se tornaram atletas em tempo integral quase imediatamente, transformando o tamanho, a velocidade e a preparação do jogo, enquanto os dirigentes improvisavam as estruturas — contratos, teto salarial, tensão entre clube e seleção — que o rugby profissional ainda discute hoje. Em 22, Rugby fica com «Chute, touch e os 22 metros» e 22. Sem ranking nem reserva. A primeira década profissional trouxe novas competições, corpos maiores e uma mudança no equilíbrio de poder. A Itália entrou para criar o Seis Nações em 2000, e a Heineken Cup europeia e as franquias do Super Rugby no sul se tornaram os grandes testes do jogo de clubes. O rugby do Hemisfério Norte atingiu seu auge em 2003, quando a Inglaterra de Clive Woodward — construída sobre um pacote de forwards avassalador, o pé de Jonny Wilkinson e um profissionalismo implacável — venceu a Austrália em Sydney com um drop goal nos minutos finais e se tornou a única seleção do norte a vencer uma Copa do Mundo. Os gigantes do sul responderam: a aura da Inglaterra se apagou, e 2007 viu a África do Sul vencer em Paris enquanto uma França enfraquecida surpreendia a Nova Zelândia nas quartas de final, aprofundando a seca de duas décadas dos All Blacks na Copa do Mundo e a ansiedade nacional que a acompanhava. As defesas se endureceram conforme o condicionamento profissional tornou os jogadores mais rápidos e pesados, e o jogo se tornou mais estruturado, mais dependente de chutes e mais territorial, provocando ajustes periódicos nas regras para manter a bola em jogo. A era terminou com a Nova Zelândia finalmente encerrando sua longa espera, vencendo um nervoso torneio em casa em 2011, com uma final apertada por 8 a 7 sobre a França — o alívio do favorito mais pressionado do esporte.
15 jogadores por lado, em dois tempos de 40 minutos, em um campo de até 100 m por 70 m, mais as áreas de ingoal O rugby union é um esporte de contato disputado por quinze jogadores de cada lado, construído sobre uma única tensão: a bola pode ser carregada e chutada livremente, mas só pode ser passada para trás, então cada metro de terreno precisa ser conquistado correndo para o contato e reciclando a posse. Quando o portador da bola é derrubado, se instala uma disputa chamada breakdown sobre a bola; quando ela sai de campo ou uma infração interrompe o jogo, a partida é reiniciada com um scrum ou um lineout, as jogadas de bola parada que costumam decidir os confrontos. Quinze especialistas — oito forwards pesados e sete backs mais rápidos — ocupam posições numeradas, e os oitenta minutos fluem quase sem interrupção, sem tempos técnicos depois que o apito dá início ao jogo.
O que fascina as pessoas é o choque entre força bruta e estratégia refinada dentro da mesma fase de jogo. Um maul avançando em direção ao ingoal é resolvido por alavancagem e fôlego; uma jogada ensaiada na linha de backs um instante depois é resolvida por sincronia e habilidade. O rugby dá espaço igual a um pilar de 130 quilos e a uma ponta de 75 quilos, oferecendo uma posição para quase qualquer tipo físico, e sua cultura preza a deferência ao árbitro — chamado de 'sir' — e o aperto de mãos entre adversários após a partida. O território é a moeda do jogo: as equipes chutam para ganhar posição, defendem seus 22 metros e sufocam o adversário com pressão constante tanto quanto marcam pontos.
O que torna o rugby singular é a disputa permanente e legal pela posse de bola. Diferente da maioria dos esportes de invasão, a equipe que defende pode recuperar a bola em quase todo tackle, scrum e lineout, então a posse nunca está segura e o ímpeto do jogo muda com uma única virada. A bola oval quica de forma imprevisível, transformando chutes em loterias; a linha de impedimento, que corre pelo campo a cada breakdown, obriga os atacantes a construir jogadas através de fases em vez de simplesmente passar para a frente. O esporte permaneceu rigidamente amador até 1995, quando se profissionalizou quase da noite para o dia, e essa transição tardia ainda molda suas finanças, seu mapa global e o debate acirrado de hoje sobre bem-estar dos jogadores e traumatismos cranianos.
O vídeo está no telefone. A regra está nas duas primeiras linhas. Em 22, Rugby fica com «Chute, touch e os 22 metros» e 22. Sem ranking nem reserva. 2222
Números que ficam
- Ano de referência
- 22
- Número do jogo
- 22
- Desporto
- Rugby
- Linha da regra
- Chute, touch e os 22 metros