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Hemeroteca

1884: Mary Celeste

Ler Mary Celeste é procurar o ano da encadernação. «A audiência de Solly-Flood» e 4 pertencem a esse volume. Outra sentença na mesma casa deixa de ser o registo de então. Dez pessoas: Briggs, a mulher Sarah, a filha Sophia e sete tripulantes. Nenhuma foi achada. Nenhum desembarque verificado do bote foi alguma vez registado.

Em 4 de dezembro de 1872 — 5 de dezembro segundo alguns relógios de convés — o brigue britânico Dei Gratia, capitão David Morehouse, avistou um navio sob vela parcial a várias centenas de milhas a leste dos Açores. O imediato Oliver Deveau embarcou e achou o Mary Celeste abandonado: ninguém no convés nem abaixo, o bote ou iate pequeno em falta, efeitos pessoais e a maior parte da carga ainda ali, e um casco ainda navegável o bastante para ser levado a Gibraltar. Os homens do Dei Gratia trouxeram-no como salvamento.

Uma audiência de salvamento do Vice-Almirantado abriu-se em Gibraltar sob o attorney-general Frederick Solly-Flood. O tribunal pagou um prémio de salvamento, mas nunca achou causa para o abandono. Teorias — vapor de álcool, um seiche ou tromba-d'água, o receio de uma explosão, um bote perdido num mar que subia — permanecem por provar. A ficção de Arthur Conan Doyle de 1884, «J. Habakuk Jephson’s Statement», rebatizou o navio Marie Celeste e ensinou aos leitores um conto de fantasmas que o dossiê de salvamento não sustenta.

O Mary Celeste é o derrelicto-tipo: um brigue abordado, um bote em falta, um jurista suspeitoso e um século de histórias que acrescentaram piratas que Conan Doyle nunca achou no papel de Gibraltar. As notas de abordagem de Deveau, lidas depois em tribunal, descreveram um navio que ainda podia ser esgotado e navegado. As velas estavam dispostas de modo desordenado. O adriça do pico grande estava partido. Havia água no porão, não o bastante no testemunho de salvamento para explicar por si um pânico. O cronómetro, o sextante e alguns papéis faltavam; o diário de bordo permanecia. Nove dos barris de álcool foram depois dados como vazios ou a vazar.

O índice vem antes do comentário. O registo público fixa o que se podia verificar então: Mary Celeste em 1884, «A audiência de Solly-Flood», número 4. Em Portugal encontra-se na hemeroteca, no seminário e no volume. Esta página não condena nem classifica pessoas.1884

Números que ficam

Ano do volume
1884
Número fixado
4
Caso
Mary Celeste
Linha pública
A audiência de Solly-Flood

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