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Hemeroteca

1872: Mary Celeste

Ler Mary Celeste é procurar o ano da encadernação. «Nova Iorque rumo a Génova» e 7 pertencem a esse volume. Outra sentença na mesma casa deixa de ser o registo de então. O Mary Celeste, brigue construído no Canadá e então sob propriedade americana, saiu de Nova Iorque em 7 de novembro de 1872 rumo a Génova com uma carga de 1.701 barris de álcool desnaturado. O comandante era o capitão Be

Uma audiência de salvamento do Vice-Almirantado abriu-se em Gibraltar sob o attorney-general Frederick Solly-Flood. O tribunal pagou um prémio de salvamento, mas nunca achou causa para o abandono. Teorias — vapor de álcool, um seiche ou tromba-d'água, o receio de uma explosão, um bote perdido num mar que subia — permanecem por provar. A ficção de Arthur Conan Doyle de 1884, «J. Habakuk Jephson’s Statement», rebatizou o navio Marie Celeste e ensinou aos leitores um conto de fantasmas que o dossiê de salvamento não sustenta.

O Mary Celeste é o derrelicto-tipo: um brigue abordado, um bote em falta, um jurista suspeitoso e um século de histórias que acrescentaram piratas que Conan Doyle nunca achou no papel de Gibraltar. As notas de abordagem de Deveau, lidas depois em tribunal, descreveram um navio que ainda podia ser esgotado e navegado. As velas estavam dispostas de modo desordenado. O adriça do pico grande estava partido. Havia água no porão, não o bastante no testemunho de salvamento para explicar por si um pânico. O cronómetro, o sextante e alguns papéis faltavam; o diário de bordo permanecia. Nove dos barris de álcool foram depois dados como vazios ou a vazar.

As pessoas tinham partido. Comida e pertences sugeriam que não se tinham arrumado para uma partida longa. O bote em falta é o facto físico central. Seja o que temiam, deixaram um navio que chegou a Gibraltar sob uma tripulação de prémio. Esse desajuste — um navio habitável e um convés vazio — é o mistério que o tribunal não conseguiu fechar.

O índice vem antes do comentário. O registo público fixa o que se podia verificar então: Mary Celeste em 1872, «Nova Iorque rumo a Génova», número 7. Em Portugal encontra-se na hemeroteca, no seminário e no volume. Esta página não condena nem classifica pessoas.1872

Números que ficam

Ano do volume
1872
Número fixado
7
Caso
Mary Celeste
Linha pública
Nova Iorque rumo a Génova

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