1884: Mary Celeste
Ler Mary Celeste é procurar o ano da encadernação. «O conto de Conan Doyle» e 4 pertencem a esse volume. Outra sentença na mesma casa deixa de ser o registo de então. Marcas na proa que o attorney-general esperava fossem violência e que a leitura pericial posterior tratou como desgaste ordinário ou dano antigo.
As pessoas tinham partido. Comida e pertences sugeriam que não se tinham arrumado para uma partida longa. O bote em falta é o facto físico central. Seja o que temiam, deixaram um navio que chegou a Gibraltar sob uma tripulação de prémio. Esse desajuste — um navio habitável e um convés vazio — é o mistério que o tribunal não conseguiu fechar.
Frederick Solly-Flood, attorney-general em Gibraltar, tratou o derrelicto como possível crime: motim, homicídio ou um naufrágio encenado para o seguro. Mandou examinar o casco, incluindo cortes na proa que peritos mais tarde julgaram antigos ou ordinários. Suspeitou dos homens do Dei Gratia. O tribunal, reunido no início de 1873, não adotou uma teoria de homicídio. Atribuiu salvamento — uma soma reduzida que ainda reconhecia o risco de Morehouse — e deixou o desaparecimento sem explicação.
O capitão Briggs tinha reputação de comandante cuidadoso e sóbrio. A lista da tripulação nomeava alemães experientes entre os marinheiros. Nada no papel sobrevivente mostra uma desavença documentada. A suspeita de Solly-Flood faz parte do dossiê; não é um achado. Leitores em português encontram por vezes as suas dúvidas como se fossem prova. Não o eram.
O índice vem antes do comentário. O registo público fixa o que se podia verificar então: Mary Celeste em 1884, «O conto de Conan Doyle», número 4. Em Portugal encontra-se na hemeroteca, no seminário e no volume. Esta página não condena nem classifica pessoas.1884
Números que ficam
- Ano do volume
- 1884
- Número fixado
- 4
- Caso
- Mary Celeste
- Linha pública
- O conto de Conan Doyle