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Hemeroteca

1872: Mary Celeste

Ler Mary Celeste é procurar o ano da encadernação. «Zarpa de Nova Iorque» e 7 pertencem a esse volume. Outra sentença na mesma casa deixa de ser o registo de então. O conto de 1884 rebatizou o navio e acrescentou um enredo. O português posterior, via traduções, tratou a ficção como o dossiê.

As pessoas tinham partido. Comida e pertences sugeriam que não se tinham arrumado para uma partida longa. O bote em falta é o facto físico central. Seja o que temiam, deixaram um navio que chegou a Gibraltar sob uma tripulação de prémio. Esse desajuste — um navio habitável e um convés vazio — é o mistério que o tribunal não conseguiu fechar.

Frederick Solly-Flood, attorney-general em Gibraltar, tratou o derrelicto como possível crime: motim, homicídio ou um naufrágio encenado para o seguro. Mandou examinar o casco, incluindo cortes na proa que peritos mais tarde julgaram antigos ou ordinários. Suspeitou dos homens do Dei Gratia. O tribunal, reunido no início de 1873, não adotou uma teoria de homicídio. Atribuiu salvamento — uma soma reduzida que ainda reconhecia o risco de Morehouse — e deixou o desaparecimento sem explicação.

O capitão Briggs tinha reputação de comandante cuidadoso e sóbrio. A lista da tripulação nomeava alemães experientes entre os marinheiros. Nada no papel sobrevivente mostra uma desavença documentada. A suspeita de Solly-Flood faz parte do dossiê; não é um achado. Leitores em português encontram por vezes as suas dúvidas como se fossem prova. Não o eram.

O índice vem antes do comentário. O registo público fixa o que se podia verificar então: Mary Celeste em 1872, «Zarpa de Nova Iorque», número 7. Em Portugal encontra-se na hemeroteca, no seminário e no volume. Esta página não condena nem classifica pessoas.1872

Números que ficam

Ano do volume
1872
Número fixado
7
Caso
Mary Celeste
Linha pública
Zarpa de Nova Iorque

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