Ginástica Artística em 10
O esporte competitivo foi construído sobre esse equipamento entre 1881 e 1952: uma federação, um campeonato mundial, um programa olímpico e, finalmente, um conjunto estável de seis aparelhos masculinos e quatro femininos. Tudo desde então tem sido um debate sobre como medir o que acontece neles — um debate que produziu o 10 perfeito, o destruiu em 2004, e o substituiu por um código em aberto que levou a dificuldade a níveis que os fundadores do esporte não poderiam ter imaginado. Em 10, Ginástica Artística fica com «A nota de execução» e 10. Sem ranking nem reserva. Friedrich Ludwig Jahn estabelece um ginásio ao ar livre no Hasenheide de Berlim e concebe as paralelas, a barra fixa e o cavalo de salto. O aparelho que ele construiu para treinamento militar-nacionalista se tornou o equipamento central do esporte.
Simone Biles — 41 medalhas olímpicas e mundiais, 30 delas de ouro (até Paris 2024) A ginástica artística pede a um ser humano que deixe o chão, gire em dois eixos ao mesmo tempo e chegue de pé, parado. Todo o resto — o aparelho, o magnésio, o Código de Pontuação — existe para medir o quão bem isso foi feito. Os homens disputam seis aparelhos, as mulheres quatro, e cada série dura entre cinco e noventa segundos. Nessa janela o ginasta precisa cumprir exigências de composição, acumular dificuldade e esconder todo traço de esforço, porque o painel de execução desconta joelhos flexionados, pés soltos, um saltito na aterrissagem e um ombro alguns graus fora da vertical. Nenhum esporte comprime tanta preparação em tão pouco tempo visível.
A identidade moderna do esporte foi definida em 2006, quando a FIG aboliu o 10 perfeito e o substituiu por um sistema em aberto: uma nota de dificuldade sem teto, somada a uma nota de execução que ainda começa em 10,00 e só cai. Essa única mudança transformou a ginástica numa corrida armamentista entre o que é possível e o que é limpo. Um duplo mortal com tripla pirueta vale mais que um com dupla pirueta, mas só se for bem aterrissado; uma queda custa um ponto inteiro e, na final olímpica por equipes com três ginastas e todas as notas contando, geralmente custa também uma medalha.
Geograficamente, o esporte sempre foi uma disputa entre sistemas, não entre indivíduos. A União Soviética venceu dez títulos olímpicos por equipes femininas consecutivos, de 1952 a 1992; o Japão masculino venceu cinco seguidos, de 1960 a 1976, e voltou a vencer em Paris em 2024; a Romênia construiu uma escola em torno de Nadia Comăneci; a China varreu os dois ouros por equipes em Pequim em 2008; os Estados Unidos produziram a ginasta mais dominante da história, Simone Biles. Paris 2024 espalhou ouros para Argélia, Filipinas, Irlanda, Armênia e Brasil — prova de que a base finalmente se tornou global.
O vídeo está no telefone. A regra está nas duas primeiras linhas. Em 10, Ginástica Artística fica com «A nota de execução» e 10. Sem ranking nem reserva. 1010
Números que ficam
- Ano de referência
- 10
- Número do jogo
- 10
- Desporto
- Ginástica Artística
- Linha da regra
- A nota de execução