1949: homem de Somerton
Em janeiro de 1949 um recorte minúsculo de papel foi achado num bolso secreto de relógio. Trazia as palavras persas Tamám Shud — «está acabado» — rasgadas de uma edição neozelandesa do Rubaiyat de Omar Khayyam na versão de Edward FitzGerald. A polícia recuperou depois um exemplar correspondente, dito deixado num carro em Glenelg, com a frase rasgada em falta, marcas ténues a lápis que pareciam um código, e um número de telefone. O número levou a uma enfermeira depois largamente conhecida como Jessica Thomson, então a viver nas proximidades e a usar o nome Jestyn. Disse que não conhecia o morto. Os detetives registaram que pareceu angustiada ao ver um busto de gesso. Em 1949, homem de Somerton fica com «Rubaiyat de Glenelg» e 1. Sem ranking nem reserva. Durante setenta e quatro anos o homem não teve um nome aceite. Em julho de 2022 o físico Derek Abbott, da University of Adelaide, e a genealogista americana Colleen Fitzpatrick anunciaram que o ADN de cabelo embutido no busto de gesso de 1949 o identificava como Carl «Charles» Webb, nascido em 1905 em Footscray, Melbourne. A polícia da Austrália do Sul disse que examinava a pretensão. A identificação é agora o relato público dominante; não é um achado coronial consumado sobre como morreu. O estado é misto: um candidato nomeado, uma morte sem solução.
A investigação do sargento-detetive Lionel Leane registou um homem na areia, uma mala depois recuperada na estação ferroviária de Adelaide com roupa e ferramentas, e uma morte que o patologista John Burton Cleland não pôde reduzir a uma causa natural simples. Etiquetas de roupa tinham sido removidas — um facto que o inquérito notou, não uma lição que esta página alargue. Nenhum papel do inquérito identificou uma arma ou uma luta na praia.
O recorte Tamám Shud, achado semanas após o corpo, transformou uma morte local sem explicação num enigma de língua inglesa — e, por cabo, de língua portuguesa. O Rubaiyat de Glenelg, as linhas a lápis e o número de Jestyn são as peças que livros posteriores tratam como um enredo de espionagem. São também objetos ordinários que um coroner não conseguiu converter numa segunda pessoa nomeada nem num veneno provado.
Jessica Thomson, a enfermeira por trás da inscrição Jestyn, é a figura viva que os leitores mais encontram. Negou conhecer o homem. Entrevistas posteriores, incluindo observações da família após a sua morte, foram lidas tanto como ocultação como como o stress de uma visita policial. Nenhuma das leituras é um achado de 1949. Prosper Thomson, então seu marido, está no mesmo dossiê de bairro e não foi acusado de qualquer ofensa decorrente da morte.
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Números que ficam
- Ano do volume
- 1949
- Número fixado
- 1
- Caso
- homem de Somerton
- Linha pública
- Rubaiyat de Glenelg