1948: homem de Somerton · 573
Na hemeroteca pede-se o volume pelo ano, e quem atende abre o índice antes do título de opinião. homem de Somerton está em 1948 sob «Corpo achado», número 1 nessa página. A ficha não admite o título do filme posterior. O seminário fica com estas três peças. Uma mulher local viva entrou na história. O inquérito ainda não tinha nome para o morto.
Em 1 de dezembro de 1948 um homem não identificado foi achado morto em Somerton Park; um recorte Tamám Shud definiu o caso, e um ADN de 2022 nomeou Carl Webb sem resolver como morreu. Na manhã de 1 de dezembro de 1948, dois homens acharam um desconhecido bem vestido morto contra o muro marítimo na praia de Somerton Park, a sul de Adelaide. Não trazia identificação ordinária. A polícia da Austrália do Sul fotografou-o, tomou impressões digitais que não coincidiram com nenhum ficheiro australiano nem circulado no estrangeiro, e abriu uma investigação coronial. A imprensa chamou-lhe o homem de Somerton. O inquérito, sob o coroner Thomas Erskine Cleland, ouviu que uma causa de morte não podia ser afirmada com certeza. Suspeitou-se de um veneno que não foi identificado de um modo que o tribunal tratasse como provado.
Em janeiro de 1949 um recorte minúsculo de papel foi achado num bolso secreto de relógio. Trazia as palavras persas Tamám Shud — «está acabado» — rasgadas de uma edição neozelandesa do Rubaiyat de Omar Khayyam na versão de Edward FitzGerald. A polícia recuperou depois um exemplar correspondente, dito deixado num carro em Glenelg, com a frase rasgada em falta, marcas ténues a lápis que pareciam um código, e um número de telefone. O número levou a uma enfermeira depois largamente conhecida como Jessica Thomson, então a viver nas proximidades e a usar o nome Jestyn. Disse que não conhecia o morto. Os detetives registaram que pareceu angustiada ao ver um busto de gesso.
Durante setenta e quatro anos o homem não teve um nome aceite. Em julho de 2022 o físico Derek Abbott, da University of Adelaide, e a genealogista americana Colleen Fitzpatrick anunciaram que o ADN de cabelo embutido no busto de gesso de 1949 o identificava como Carl «Charles» Webb, nascido em 1905 em Footscray, Melbourne. A polícia da Austrália do Sul disse que examinava a pretensão. A identificação é agora o relato público dominante; não é um achado coronial consumado sobre como morreu. O estado é misto: um candidato nomeado, uma morte sem solução.
Sem «Corpo achado» nem 1, a ficha de homem de Somerton em 1948 volta ao balcão.1948
Números que ficam
- Ano do volume
- 1948
- Número fixado
- 1
- Caso
- homem de Somerton
- Linha pública
- Corpo achado
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